quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A ÉTICA EM SOCIEDADE E A POLÍTICA ANTIÉTICA


 Sempre que o ser humano se depara com uma situação que expõe seus valores e exige uma reflexão mais profunda sobre seus princípios, reavaliando seu comportamento e sua postura social como o melhor não só para ele mesmo, mas o melhor para todos os outros, condiz com a atitude de um cidadão ético; mas quando as ações advindas das decisões apresentam consequências danosas na vida de outras pessoas, com o intuito de tirar vantagem, de ludibriar, de sufocar o direito do outro, se age de maneira antiética.

Estamos diante de um quadro atual onde muitas vezes prevalece a lei do vale tudo, do jogo sem regras e que vença o melhor, o mais astucioso e preparado, numa disputa de interesses onde os riscos parecem não existir e o escrúpulo não deixa de ser uma palavra insignificante ou que não vale a pena ser pensada. Assim é a ética numa sociedade corrompida, um termo genérico, sem eficácia e em desuso por aqueles que usam máscaras e fazem uso do sistema público a bel prazer, dissimulando, traindo e agindo de modo escuso.

É muito comum e corriqueiro o uso da palavra ética para sinalizar atos de decência, de honestidade e de bons modos, quando os atos apresentam repercussão de um ser humano preocupado com o outro, e que tem total consciência de suas responsabilidades na vida de outros seres humanos. Também é comum nos deparamos cotidianamente com ações consideradas antiéticas que simplesmente desmoralizam e propagam a degradação do homem.

A sociedade está envolvida em dilemas que exigem uma postura ética ou antiética, portanto uma decisão, e que põe em jogo o caráter e a reputação individual. Uma decisão ética não é fácil, porém é o que ainda sustenta uma sociedade nos padrões aceitáveis de civilização, é o que torna o homem mais humano e abnegado, cujos preceitos morais são responsáveis por conduzi-lo com honra, numa sociedade onde os princípios éticos e morais às vezes são censurados como bobagem e tolice, como um conjunto de regras insignificantes.  

O homem é portanto, corrupto por natureza? Ainda existe ética no meio social ou tudo não passa de regras que podem ser quebradas? Por que muitas pessoas ainda defendem a corrupção como um meio legal e cabível a todos que estão no poder? São perguntas que agitam a mente e geram discussões controversas.

Considero um verdadeiro pecado, o ser humano se tornar indiferente à falta de ética, uma vez que o comportamento social é determinante para uma relação harmônica e pacífica entre todos os homens. Como seria um mundo onde o respeito, a honestidade, a tolerância e a decência não existissem, subsistindo a indecência, a improbidade e o egoísmo? Atrevo-me a dizer que caminharíamos para o caos e a ruína da humanidade.

Muitas vezes reclamamos sobre a postura daqueles que elegemos e que fomos responsáveis por sua presença no poder acusando-os de corruptos e de tantos outros termos depreciativos para expulsarmos tamanha indignação que nos sufoca, mas não refletimos sobre nossa própria postura social, política e humana.

O que quero dizer é que não basta somente reclamarmos e o uso generalizado de impropérios e insultos contra aqueles “homens corruptos” que buscam corromper a maioria da camada social comprando a dignidade que o cidadão nutre dentro de si. O que precisa ser pensado é que quando a pessoa desvia seus atos da moral e dos valores éticos, ela também é corrupta ou se caminha para um processo de corruptibilidade; e aí ela perde o direito de reclamar contra o corrupto que está no poder, pois suas atitudes se tornam coniventes com o princípio da desonestidade e da injustiça.

Aceitar suborno ou subornar, trocar o voto por qualquer objeto, violar leis para obter algo de valor, sonegar imposto, furar fila, e etc. são algumas das atitudes vergonhosas que exibem o caráter de alguém que falte com ética na sociedade. Significa que quando o cidadão falta com a ética no seu meio e se corrompe, ele perde o direito de reivindicar, porque sua condição se concilia e se iguala ao do “corrupto”. Todavia isso não significa acreditar que todos os homens são passíveis de se corromper. Na verdade isso é um pretexto dos corruptos e corruptores: querer nivelar todos os homens como suscetíveis à corrupção e à desmoralização social.

A ética é arma que os homens íntegros, honrados e impolutos têm para combater a mácula da desonra e indecência geradas pela política antiética. A ética fortalece uma política íntegra e limpa que deve ser construída perante a presença de homens que não carregam a mancha do opróbrio, da infâmia e do sadismo. Portanto, a ética é como a bússola que aponta o rumo certo e diz respeito a toda a sociedade lesada e prejudicada por modelos de governos insanos e torpes, marcados pela incompetência e a frustração.  
                                               
                                                                  Francisco Balbino Sousa
                                                                                                                 
 Para refletir:

“Duas coisas enchem-me o espírito de admiração e reverência sempre nova e crescente, quanto mais frequente e longamente o pensamento nelas se detêm: o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim”. (Kant)
Por prof. Gilvan

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